Última década é marcada por guinada de jogadores com mais de 35 anos, e preparador ex-Seleção explica fatores: “São atletas na concepção da palavra”
O Brasileirão 2025 bate à porta neste final de semana e se os atletas novinhos são maioria nos clubes, os jogadores “vovôs”, acima de 35 anos, continuam a furar a bolha como exemplos de longevidade. Pelo menos nos últimos 10 anos, aliás — como mostra o Gato Mestre.
De 2015 até a atual temporada, a elite do futebol nacional viu 476 “+35” performarem em campo. Neste ano, o número é de 49 atletas presentes entre os 20 clubes da Série A. E contando.
Para a edição de 2025, o Gato Mestre considerou os atletas que estão atualmente nos elencos com idade na data do último dia 20 de março.
Nota-se, então, pela linha do tempo descrita, uma crescente na presença de atletas com mais de 35 anos atuando no maior escalão do futebol brasileiro.
A partir de 2017, em especial, o crescimento ganha corpo e atinge seu ápice sete anos depois, quando são registrados pouco mais que o dobro de jogadores (32 para 62).
A ciência por trás da tendência
O preparador físico Bruno Mazziotti calcula ter passado por sua mão mais de 700 atletas ao longo dos 20 anos de carreira. Ele ostenta currículo invejável: passagens por seleção brasileira, PSG, Arsenal, seleção uruguaia, Cruzeiro e Corinthians. Trabalhou em três Copas do Mundo.
Com a bagagem de formação em Fisioterapia e Educação Física, além de especialização em Biomecânica, enxerga a guinada dos “vovôs” como um exemplo multifatorial. Há a genética sobressalente de poucos, a mudança de mentalidade da maioria e, acima de tudo, o perfil diferenciado dos nascidos nas décadas de 80 e 90.
“A geração dos anos 80 e 90 é reconhecidamente uma geração com muita capacidade técnica. Isso, de fato, faz com que estes atletas possam retornar ao seu país de origem (no caso, o Brasil) sendo ainda diferenciais”
— Esses atletas são classificados como atletas de sustentação ou tutores. Obviamente que chegaram a essa fase porque passaram pelo processo de rendimento, de lapidação e desenvolvimento, categorias anteriores àquelas mencionadas à minha fala — contextualiza Mazziotii, antes de mergulhar no tema.
“O primeiro fator causal é a mudança de mentalidade. São atletas na concepção da palavra, muito preocupados com aquilo que comem, da maneira como treinam, da qualidade de seu sono. Por outro lado, podemos citar o avanço significativo na metodologia dos treinos. Hoje, nossos treinos estão preocupados em não gerar danos tão grandes”, acrescenta.
— Nenhum atleta acima dos 33 que não permita ter sua qualidade técnica desenvolvida ou reconhecida, dificilmente seria diferencial na Série A. Até porque a competição é bastante caótica, calendário, logística. Mas, importante: estes atletas não perdem qualidade; diminuem, sim, a capacidade física. Eles aumentam a técnica pela maturação da vida desportiva, que somada aos hábitos de melhor cuidado, faz com que essa longevidade seja ressaltada no Brasil e Europa — finaliza Bruno.
matéria completa: Globo esporte